sábado, 17 de março de 2012

Serra, o mentiroso: 'Cumpri tudo que prometi'

Em encontro com militantes, pré-candidato tucano e aliados começam a ensaiar discurso para explicar abandono da prefeitura em 2006  

Ricardo Galhardo, iG São Paulo

O pré-candidato do PSDB à Prefeitura de São Paulo José Serra disse na noite de quinta-feira, em evento com militantes tucanos na Vila Prudente (Zona Leste), que nunca deixou de cumprir uma promessa sequer em toda sua carreira política.

O pré-candidato do PSDB à Prefeitura de São Paulo José Serra e o secretário estadual do Meio Ambiente, Bruno Covas, em noite de encontro com militantes Foto: AE

“Tudo que prometi na minha vida pública eu cumpri”, disse Serra que, em 2006, renunciou à prefeitura para disputar o governo de São Paulo apesar de ter assinado um compromisso proposto pelo jornal “Folha de S. Paulo” de ficar até o final do mandato.

Serra disse que cumpriu todas suas promessas quando foi secretário de Planejamento no governo Franco Motoro, deputado federal, senador, ministro do Planejamento e da Saúde no governo Fernando Henrique Cardoso, prefeito e governador.

“Como ministro da Saúde fiz até mais. No discurso de posse, não prometi os genéricos”, disse ele durante o evento, que reuniu 286 militantes tucanos da Zona Leste - a maioria deles, apoiadores do deputado federal Bruno Covas, que abriu mão de sua candidatura em favor de Serra.

Na sequência, o pré-candidato relativizou a declaração dizendo que sempre realizou entre 80% e 90% de seus programas de governo. Nos pronunciamentos, Serra e seus aliados começaram a ensaiar o discurso para explicar o abandono da prefeitura, em 2006, destacado com frequência pelo seu provável rival, Fernando Haddad (PT).

O deputado federal Walter Feldman falou diretamente sobre o assunto, dizendo ficar chateado com a forma como a imprensa trata o caso. Segundo ele, Serra não abandonou a prefeitura, ao contrário, exerceu uma espécie de “cogovernança” ao assumir o governo do estado e deixar o vice, Gilberto Kassab, e quase toda sua equipe na administração municipal.

“Ele saiu antes para não perdermos a oportunidade de termos a prefeitura e o estado”, explicou o deputado.

Serra não tocou diretamente no assunto da renúncia mas elencou argumentos em seu favor. Segundo ele, o parceiro natural da prefeitura é o governo estadual, não o federal. “Até porque o governo fica aqui em São Paulo”, disse ele.

Assim, ele teria feito mais pela cidade na condição de governador do que na de prefeito. “No governo (Serra), nunca se fez tanto pela cidade de São Paulo. Metrô, escolas técnicas. Levamos o MAC (Museu de Arte Contemporânea) para o Ibirapuera”, afirmou.

Em seguida, o pré-candidato conclamou os militantes e candidatos a vereador a divulgarem para o eleitorado as realizações do governo tucano na cidade de São Paulo. “Quero ver os vereadores distribuindo folhetos nas estações de metrô”, disse Serra.

O tucano também indicou a intenção de reorganizar a divisão administrativa da cidade entre as subprefeituras. Ele criticou, por exemplo, o fato de uma parte da Moóca estar submetida à subprefeitura da Sé, que tem outras prioridades. Apesar da intenção, o pré-candidato demonstrou dificuldade em identificar as áreas de atuação de cada subprefeitura. “Nunca fui bom nisso”, justificou.

*Colaborou Bruna Carvalho, iG São Paulo



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